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2017: O ano da prova de fogo para a hotelaria gaúcha

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O IN=PACT perguntou para hoteleiros de Porto Alegre, Gramado, Canela, Torres, Caxias do Sul e Bento Gonçalves, como foi o semestre que passou e como será este que está começando. Ouviu respostas que desenham uma persistente tormenta ocupacional, diárias magras e concorrência acirrada e desleal.k

O período de janeiro a julho de 2017 foi pior que o mesmo período de 2017 (que já havia sido mais que ruim), porem, o segundo período do ano deve recompensar os persistentes.

O Primeiro semestre
“Um período para ser esquecido”, foi a frase de um gerente de hotel de Porto Alegre, para a primeira pergunta, quando ele relata que o primeiro semestre ficou 7% abaixo do mesmo período do ano de 2016. Com um hotel familiar de grande porte situado em uma área degradada da cidade, a perspectiva deste gerente é realmente sombria se os governos do estado e da cidade não tomarem atitudes radicais na limpeza, segurança e mobilidade. Seu hotel é assediado por concorrentes midiscale e sua força de venda é prejudicada em relação às redes. Isso reforça a idéia já publicada pelo Frontdesk, do definhamento da hotelaria independente dando lugar aos sistemas e às redes por causa de suas forças de vendas.

Diária Média
Em compensação, a hotelaria popular da capital reagiu e os hoteis da área nova da cidade tiveram modesta melhora de indicadores, mesmo com a diária média tambem e ainda, abaixo da crítica. Nas praias, o turismo de verão garantiu algum alento. Assim, na média estaduial, a tragédia no 1º semestre só não foi maior pela boa posição do turismo interno do Brasil, que garantiu índices razoáveis em Gramado e Canela, com as taxas de ocupação subindo 2% em relação ao mesmo período de 2016 e a diária média perdendo apenas 5%, na garupa dos aplicativos que baixam a o preço com a desculpa de vender mais. Isso significou menos ganhos líquidos para a hotelaria, pois, OTAs cobraram comissões mais altas e os hoteis não tiveram muita chance de corrigir preços em função dos custos. O negócio ficou menos atrativo em qualquer das circunstâncias.

Taxas de Ocupação
Na relação entre o 1º semestre de 2017 e o mesmo período de 2016, em Porto Alegre a ocupação dos hoteis populares (diárias entre 20 e 30 dólares, aquelas vendidas em forma de outlet) no período de janeiro a junho de 2017 teve ligeira alta, indicando que os hospedes da cidade, de uma forma geral, empobreceram. No nível imediatamente superior, as ocupações caíram, demonstrando esta migração e no nível superior, nas diárias acima de 100 dólares, o mercado praticamente não se mexeu. Da mesma forma, nenhum hotel desapareceu neste semestre. Em Caxias do Sul houve sensível recuperação do movimento, mesmo com certa resistência da diária média em se recuperar. As cidades de Turismo, como Gramado, Bento Gonçalves, Canela e Torres, viram suas diárias serem dilapidadas pelos aplicativos e pelas OTAs, que concentraram seus “pacotes de maldades”, como aumento de comissões, redução de preço e investimentos maciços na propaganda do aluguel de quartos na hospedagem distribuída, para tornar os hoteis a segunda opção da cadeia de valor do turismo.

O Segundo semestre:
No segmento corporativo, que engloba a maioria dos meios de hospedagem, o cenário não é tão claro para o período de julho a dezembro. Porem, a síndrome do tiririca (“pior não fica”) está encorajando alguns proprietários a continuar de portas abertas e obrigando aos profissionais explicitarem suas esperanças de melhora.

Algumas frases ouvidas quando se perguntou como será este semestre que começou em julho e vai até dezembro.

“A economia não pode ficar dormitando a vida toda, em algum momento ela vai reagir”

“o semestre promete por causa da retomada nacional e o sinal são os vôos com maiores taxas de ocupação que no ano passado”

“Temos mais reservas para 3º trimestre do que tínhamos neste mesmo mes no ano passado”

“Os eventos, a agricultura, as exportações e a retomada do emprego, mesmo que tênue na indústria do calçado, faz prever melhoria na ocupação dos hoteis”

Safra, Emprego, Exportações, Energia e Eventos são as pequenas luzes que brilham no horizonte da noite escura em que mergulhou a hotelaria da capital e de algumas cidades do estado, muito mais pelo alarmismo, pela miopia, pelo revanchismo e, muito menos, pela economia, ou pela existência de mais uma crise recorrente, previsível e traspassável. No turismo, o mesmo fenômeno que alimentou bons índices nos meses de janeiro e fevereiro nas praias (1/4 de todos os meios de hospedagem do estado do RS estão debruçados sobre as águas do atlâtico-sul) é a mesma energia que se vê fazer ferver os mapas de reservas da hotelaria de inverno (Gramado e Canela bateram acima dos 90% em julho) e as reservas antecipadas para novembro e dezembro fazem a Serra passar a considerar o circulo temporal do natal, como a melhor aposta. O turismo vai “salvar a lavoura” da hotelaria no segundo semestre.

Aberturas:
Ainda nesse segundo semestre de 2017, estão previstas 5 aberturas, sendo 4 na serra Gaucha: 3 em Gramado, somando mais 280 novos quartos aos atuais 6022, 1 em Canela e outra em Guaíba, na Grande Porto Alegre. Guaíba, cidade histórica de 70 mil habitantes, na outra margem do estuário do rio, que em 2015 tinha apenas um pequeno hotel, ganhou um hotel de porte médio com gestão independente em 2016, 1 Super 8 em início de 2017 e neste segundo semestre inaugura uma bandeira Ibis. A cidade não tem tradição hoteleira e o prefeito Amigo dos Hoteleiros do RS, José Sperotto, acredita que serão tempos difíceis para a cidade conseguir ocupar esta oferta que veio na esteira dos investimentos na indústria local.

Ocupações 2017 – 1º semestre
Nas cidades pólo de recepção de visitantes, 38 hoteis fazem parte do sistema de captação de dados e apresentaram o seguinte quadro:

 

Hotéis

Cidade

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

38

Porto Alegre

41%

40%

44%

44%

44%

46%

14

Caxias do Sul

40%

42%

52%

54%

52%

65%

6

Pelotas

55%

54%

66%

55%

51%

60%

6

Santa Maria

53%

55%

61%

53%

56%

56%

6

Passo Fundo

56%

49%

56%

48%

48%

50%

45

Gramado

56%

44%

48%

53%

60%

63%

21

Canela

38%

37%

38%

45%

54%

51%

13

Bento Gonçalves

51%

46%

51%

52%

51%

55%

31

Costa Leste

88%

82%

54%

47%

41%

39%

180 

Estado

53%

50%

52%

50%

51%

54%

Histórico
A hotelaria do Estado do Rio Grande do Sul apresenta uma lista de 2.227 endereços, com uma dinâmica de aberturas média nos últimos 10 anos, de 6 endereços a cada ano. O boom hoteleiro se deu apenas em Gramado.

Porto Alegre sofreu uma enxurrada de aberturas de hostels em 2014, com a entrada de 10 novos endereços, somando 120 quartos (550 leitos) por causa da realização de jogos da copa do mundo FIFA na cidade. Destes, apenas um permaneceu operando após a copa.

Para a Copa do Mundo FIFA, foram abertos 5 novos hoteis na capital. O aumento do número de endereços nas cidades de Gramado, Santa Maria, Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Passo Fundo, foram ocasionados pela movimentação da riqueza do estado, que se deslocou da região metropolitana, para o interior. O fenômeno que ocasionou este deslocamento da economia – e consequentemente da hotelaria – para o interior foram, pela ordem, o recrudescimento da violência urbana nas grandes cidades da RM, a saturação dos serviços de infra-estrutura como energia e mobilidade, a disseminação do ensino superior em pólos regionais, gerando inteligência e capital humano local sem a necessidade de migração humana para os grandes centros.

Porto Alegre
Na capital, dos 16 encerramentos ocorridos desde 2014, 2 retomaram as operações, 1 foi invadido por “sem-tetos”, 2 bandeiras internacionais desapareceram da cidade, 3 hoteis trocaram de proprietários, 3 endereços mudaram de operadora e 2 hoteis independentes foram arrendados por outros proprietários.

Tambem nos últimos dez anos, 5 grandes hoteis da capital reduziram drasticamente a quantidade de quartos disponíveis, reduzindo o quadro funcional e o consumo em função da necessidade de economia e adaptação à demanda. Foram encerradas operações de hoteis em Torres, Porto Alegre e em algumas pequenas cidades. O boom de encerramentos de atividades em Porto Alegre teve início em 2014, com o fim das atividades do Beverly Hills e continuou até 2016, quando o total de endereços com idade mais avançada, foram substituidos por novos endereços, por causa do fenômeno da movimentação da cidade em direção a novos bairros, como Moinhos de Vento, Tres Figueiras e São João, onde ficam localizados o Aeroporto e a Terceira Perimetral. Portanto, a mobilidade foi a causa do fenômeno, agravada pelo abandono dó Centro Histórico pelas autoridades, que o relegaram aos moradores de rua, à sujeira e ao crime organizado.

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