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Muro do Instituto Goethe de Porto Alegre é pixado após protestos contra exposição de arte de rua

O muro do Instituto Goethe, em Porto Alegre, foi pixado nesta quarta-feira (2), após protestos e críticas contra uma das obras da exposição “Pixo/Grafite – realidades paralelas”. A imagem de uma cabeça decaptada, semelhante à figura de Jesus Cristo, gerou debate em postagens nas redes sociais da própria instituição de cultura alemã e do autor da obra, Rafael Augustaitiz.

Na terça-feira (1), a pintura já havia sido coberta por tinta. Também uma inscrição, que diz “ele ressuscitou”, apareceu no local. Já no dia seguinte, apareceu a frase “ai meu deuso” (sic), por cima das pinturas. O G1 procurou a direção do instituto e aguarda retorno. A Arquidiocese de Porto Alegre, por sua vez, repudiou a pintura. Leia nota na íntegra abaixo.

A pintura é de autoria do artista paulista Rafael Augustaitiz e do gaúcho Amaro Abreu. O projeto, de acordo com o instituto, busca discutir modalidades de arte de rua, como o pixo, o grafite e demais manifestações. Em nota publicada no Facebook da institutição, o Instituto Goethe esclarece: “Em nenhum momento foi intenção do projeto ou do Instituto ofender sentimentos religiosos. Respeitamos todas as crenças, manifestações e liberdade de expressão”.

Em função do episódio, o Instituto anunciou que realizará um debate público, a fim de discutir a ligação entre arte e religião.

Rafael Augustaitiz relata que também tem recebido mensagens de ódio por causa da obra. “As instituições têm oprimido a imaginação e desonrado o intelecto degradando a arte, a fim de estupidificá-la”, declarou, sobre os ataques.

Além disso, o autor também afirma ter sido um dos autores das pixações do edifício Wilton Paes de Almeida, que pegou fogo e caiu nesta terça-feira (1), no centro de São Paulo. Ele, que costuma assinar seus trabalhos como “Pixobomb”, informa que escalou outros prédios para realizar as pixações pela capital paulista. As pixações no prédio Wilton Paes de Almeida ocorreram em 2013.

Formado em arte, Augustaitiz já teve suas obras expostas na Bienal Internacional de Arte de São Paulo.

Goethe-Institut Porto Alegre tem recebido nos últimos dias mensagens de ódio referentes ao projeto “Pixo/Grafite – realidades paralelas”, projeto realizado para discutir modalidades de street art. Em nenhum momento foi intenção do projeto ou do Instituto ofender sentimentos religiosos. Respeitamos todas as crenças, manifestações e liberdade de expressão. O Goethe-Institut, como instituição cultural presente em mais de 90 países, dialoga intensamente com as sociedades locais e fomenta a discussão, participação e atuação artística e cultural. Lamentamos manifestações que incitem o ódio e as ameaças à liberdade de expressão. Continuaremos com nossos esforços de incentivo à discussão e ao intercâmbio entre culturas, visões artísticas e diferentes formas do pensar. Continuamos de acreditar que a melhor forma de lutar contra a intolerância é a educação e a promoção do diálogo. Por isso, vamos, em breve, convidar a todos para um debate público no Goethe-Institut, a fim de discutir a ligação entre arte e religião e os desdobramentos que se originam nessa relação. Serão bem-vindos todos as cidadãs e cidadãos que quiserem dialogar e conversar a respeito do tema, tão importante e relevante na nossa sociedade atual.

A Arquidiocese de Porto Alegre repudia a pintura num muro da capital que representa Jesus Cristo decapitado com a cabeça em uma bandeja. Ela faz parte de uma exposição que pretende tratar da banalização da injustiça e da desigualdade. A polêmica e as reações que estão ocorrendo diante da infeliz imagem são resultado da falta de respeito pelo senso religioso, pelos valores cristãos e pela história desta cidade. Se pretendemos evitar polarizações e superar a violência, precisamos garantir um diálogo respeitoso e reverente pelo outro. Em tempos de crise de alteridade, uma iniciativa como esta despreza a verdade, a bondade e a beleza, critérios que os gregos tanto prezavam para suas representações artísticas. A obra provoca reações antagônicas entre os que veem sua crença ultrajada e os que pregam a livre expressão. Onde não há respeito, não há verdade; onde se agride o que é sagrado para o outro, não há bondade e, assim, a beleza é pervertida. Religião e arte já demonstraram ao longo dos séculos o quanto podem se unir para elevar o espírito humano além dos limites da matéria, mas isso depende de uma postura que não estamos vendo nesse caso. Aguardamos uma atitude mais respeitosa para com todos os que encontram em Cristo a razão de seus dias. A educação para a paz não é possível com a promoção de gestos que violentam valores fundamentais para a vivência da caridade nesta cidade.

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