Em nove anos, número de fiscais do Mapa cai 50% em abatedouros do RS

O número de fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que fiscalizam os abatedouros de animais do Rio Grande do Sul, de onde sai carne vendida a outros estados e países, diminuiu em 50% entre 2008 e 2016, como mostra reportagem do RBS Notícias (veja no vídeo). O principal motivo é a aposentadoria dos servidores.

De acordo com a chefe da Divisão de Defesa Agropecuária do estado, Ana Lucia dos Santos Steban, técnicos de prefeituras ajudam a preencher as lacunas em alguns locais. Apesar disso, ela considera a fiscalização no estado uma das melhores do país.

"É o suficiente, porém o ideal seria que nos tivéssemos um quadro próprio do Ministério da Agricultura para atender a todos os estabelecimentos", explica. "A gente enfraquece o sistema de inspeção municipal e fortalece o de inspeção federal."

Os fiscais atuam em 44 abatedouros gaúchos, que também vendem carne para fora do estado. A lei obriga a presença de um fiscal durante todo o trabalho, o que inclui inspeção na chegada dos animais, após o abate e do controle de qualidade.

Retração e desconfiança
Os produtores do ramo preveem uma retração do mercado devido à veiculação das denúncias investigadas pela Polícia Federal durante a Operação Carne Fraca. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, afirma que é preciso realizar um "longo trabalho de informação".

"Precisamos saber de todos os detalhes da operação para justificar que o Brasil cumpre toda a legislação brasileira e internacional. Não há produto que tenha exclusividade para exportar ou para consumo interno. As empresas produzem para exportar ou para o mercado interno o mesmo produto, com todos os padrões de higiene", disse Turra. 

A veiculação das informações da operação causou desconfiança em consumidores como o funcionário público Julio Santos. "A gente fica de olho procedência, principalmente a carne processada. Acho que vamos ficar bem desconfiados daqui para frente."

Ainda assim, há quem não dispense a carne de jeito nenhum. "O churrasquinho do final de semana tem que ter, sempre tem que ter, não adianta", diz o segurança Derli Roberto.

Em nota, a Associação Gaúcha dos Supermercados (Agas) lamenta o "loteamento de cargos no poder público, em posições estratégicas que deveriam ser ocupadas por técnicos de carreira". Para os supermercadistas, esse é o fator causador da crise que já começa a afetar a cadeia produtiva da carne.

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) diz que já há retração no consumo. "Teremos impacto no preço de pratica interia e também no mercado internacional", diz o presidente da entidade, Carlos Sperotto.

O dirigente acredita que a confiança no produto brasileiro é mais forte que a crise. No entanto, os produtores esperam que as responsabilidades sejam apuradas pela indústria e pelo Ministério da Agricultura. "Que haja penalização, identificação dos responsáveis e logicamente esses procedimentos estarão fazendo a melhor defesa possível dentro do processo."

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