Justiça mantém prisões preventivas de mulheres ligadas a organizações criminosas 

Companheira do traficante Nego Jackson (no centro) no momento em que foi presa pelos policiais no Aeroporto Salgado Filho, ano passado (Foto: Reprodução/RBS TV)

A Justiça do Rio Grande do Sul determinou, a pedido do Ministério Público, a manutenção das prisões preventivas de duas mulheres ligadas a organizações criminosas. Uma delas é esposa do traficante Jackson Peixoto Rodrigues, conhecido como Nego Jackson.

O grupo liderado por Jackson foi alvo da Operação Quebra Cabeça, em novembro do ano passado. O traficante foi preso no Paraguai, e atualmente cumpre pena no Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia.

A mulher foi presa também em novembro. Segundo o Ministério Público, era a responsável por tratar pessoalmente da compra e transferência de imóveis e de veículos, e até de reformas para valorizar casas e apartamentos, que são formas de lavagem de dinheiro utilizadas pelos integrantes da organização criminosa.

De acordo com as investigações, a mulher costumava pedir que colaboradores conseguissem nomes de pessoas para serem usadas como "laranja", na compra de bens para a quadrilha.

"É muito importante que se entenda que essas mulheres, mesmo não agindo diretamente de forma violenta, dão sustentação aos criminosos. Era ela quem intermediava as ordens dele, repassando-as aos integrantes operacionais da organização", ressalta o promotor Marcelo Tubino, que atua em primeiro grau, no projeto-piloto da Promotoria Especializada no Combate aos Crimes de Lavagem de Dinheiro e Organização Criminosa. Cerca de R$ 9 milhões foram bloqueados em contas identificadas pela investigação como ligadas à quadrilha.

A esposa de Nego Jackson está na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, e permanecerá lá, por decisão da desembargadora Rosaura Marques Borba, da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.

A segunda mulher mantida presa preventivamente têm 24 anos e, segundo entendimento da desembargadora Fabiane Breton, da 8ª Câmara, exercia um papel fundamental em um grupo que roubou 1,5 mil veículos na capital. Sua função era localizar veículos idênticos aos roubados a fim de se copiarem os dados indentificadores para a clonagem deles. Por isso, deve permanecer presa, de acordo com a magistrada.

As investigações apontaram que o grupo movimentado financeiramente aproximadamente R$ 6 milhões, como pagamentos para execução dos roubos, confecção dos documentos de rodagem e propriedade, adulterações das numerações dos veículos (clonagem) e posterior venda para criminosos de diversas cidades do Estado e do País.

A organização criminosa foi alvo de investigação da Polícia Civil, o que resultou na Operação “Macchina Nostra”, já executada em três fases, com atuação conjunta entre as instituições.

O procurador de Justiça criminal Gilberto Thums explica que havia a percepção de que, no mundo do crime, as mulheres tinham funções menores. Agora, nestas organizações criminosas, percebe-se que não: elas também são “cabeças”, que tem tanta responsabilidade quanto os homens e soltas, representam risco.

“O Tribunal de Justiça está compreendendo cada vez mais as novas formas de criminalidade e a necessidade da repressão. A manutenção das prisões nestes casos, por se tratar de organização criminosa é a maneira de evitar a continuidade dos crimes”, conclui Thums.

Carro clonado preso com suspeito de integrar a quadrilha na quinta-feira (6) (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

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